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terça-feira, 20 de março de 2012

Inclusão: Falta experiência ou vontade?


Um dos problemas que ainda contribui para exclusão na inclusão de crianças com deficiências nas escolas regulares é o fato de algumas pessoas enxergarem essas crianças como diferentes. Infelizmente é muito comum ouvirmos familiares, amigos e profissionais dizendo: "Eu não sei lidar com alguém assim", "Eu tenho medo de não cuidar direito", "Eu não tenho experiência" e por aí vai... Fico me perguntando se as pessoas que pensam dessa forma não necessitam viver experiências inusitadas e se na hora em que vão ter filhos elas fazem algum curso para não errar nos cuidados com a criança.
É óbvio que em muitos casos não falta experiência e sim vontade. Essas pessoas poderiam fazer um simples exercício se colocando no lugar dos pais dessa criança, já que os mesmos aprenderam na prática, mas tem também um outro exercício que é colocar em mente que os cuidados com uma criança com deficiência não diferem dos cuidados que uma criança sem deficiências exige.
Como uma pessoa consegue trocar a fralda de um bebê e alimentá-lo e o mesmo não consegue trocar a fralda de uma criança de três anos e alimentá-la ainda que tenha uma deficiência física ou intelectual, o que se passa em sua mente? Qual a diferença, o tamanho?
Não é condenável o fato de alguém não conseguir lidar com as crianças com deficiências sem ter tido orientações e cursos específicos para isso, mas está claro que se aqueles que se veem diante da realidade de ter que trabalhar com essas crianças ou até mesmo conviver por ter alguém no seio familiar, não se esforçarem a vida dessas pessoas fica muito difícil e a inclusão plena dos mesmos na sociedade ainda mais distante.
Infelizmente precisamos de leis para "obrigar" as pessoas a agirem de forma coerente no sentido de termos uma sociedade mais justa e igualitária, no entanto, ainda existem muitos desafios para que isso se concretize. Inclusão de fato nós teríamos se não houvesse a necessidade de leis para que todos pudessem usufruir deste mundo sem ter que lutar tanto para isso.

Antônia Yamashita

Texto baseado na experiência abaixo.
 Meu neto então com 3 anos foi colocado em uma escola infantil junto com crianças menores (berçario) devido sua idade mental ser de uma criança de 1 ano e ele usar fralda. Minha filha foi a escola no terceiro dia no meio do periodo para ver como estava indo pq ela percebeu que ele chegava com muita fome e molhado. Qual não foi sua surpresa ao notar que a professora deixava o meu neto separado das outras crianças na hora da alimentação, com a cadeirinha virada para a parede e sozinho, enquanto os outros comiam ele ficava la, sozinho e virado para a parede. Depois disso, o caso foi levado a diretoria e pedido a ela que esperasse mais um pouco para adaptação ela fez uma bolinha de canetinha na fralda dele e, qdo ele chegou em casa a fralda era a mesma que ela tinha feito a bolinha com canetinha..ou seja, ele não estava sendo alimentado nem sua fralda estava sendo trocada. Minha filha chamou conselho tutelar, ação social, fez uma revolução na escolinha. a professora alegou que deixava o menino longe dos outros pq não sabia se "o que ele tinha" pegava nos outros e tinha medo. Alegou tbem que não sabia alimentar nem trocar crianças "assim". A assistente social pegou o meu neto muito gentilmente, alimentou e trocou ali, na frente dela e disse "é assim que vc faz, igual aos outros, alimenta e troca, simples assim, e ela pediu desculpas a minha filha pq nunca tinha trabalhado com crianças "assim". Bom, resultado, pediram muito para que meu neto ficasse la na escolinha mas minha filha se recusou a deixar nosso menino nas mãos de pessoas tão ignorantes e despreparadas. hJ ele esta no APAE, continua la, e la vai ficar, junto com crianças que são iguais e que sabem respeita-lo e ama-lo do jeito que ele é e junto a professores que sabem como tratar uma criança com necessidades especiais

quinta-feira, 1 de março de 2012

O que cada um vê

Raras são as vezes em que precisamos ir a algum lugar fazendo uso do transporte público em que não precisamos esperar por algo ou alguém para seguir caminho. No que diz respeito ao metrô a situação já melhorou bastante, mas vez ou outra ainda nos deparamos com alguns obstáculos que geralmente são resolvidos  logo, inclusive semanas atrás quando necessitamos usar um elevador que estava quebrado o guarda rapidamente se prontificou a auxiliar meu marido a descer pela escada.
Hoje estava agendada a gravação do programa papo de mãe cujo tema era mães de filhos que usam cadeiras de rodas, nos programamos para irmos a família toda e lá estávamos nós com o horário bem apertado. Entramos na estação para pegar o expresso tiradentes e ao chegar na escada rolante que dava acesso a plataforma para embarque vimos que a mesma estava desligada. Imediatamente fui conversar com uma funcionária para usarmos a plataforma para escada que imagino ser parecido com o modelo abaixo, pois nunca vi a "cara" dessa plataforma e ninguém utilizando-o.
A funcionário informou ao segurança que estava se aproximando que tinha uma pessoa em cadeira de rodas que precisava subir para a plataforma e perguntou-lhe como fariam, ele nos disse que precisávamos pegar o sentido contrário descer na próxima estação e voltar, com intenção de não nos atrasarmos meu marido preferiu subir pela escada normal e graças a boa vontade de um homem que passava por nós o percurso ficou "mais leve". 




Essas experiencias me levam a crer que somos vistos não como trabalhadores, estudantes, consumidores... e que ao sairmos de casa estamos sempre a passeio e sendo assim temos todo o tempo do mundo para esperar três minutos em uma estação, cinco na outra, o próximo ônibus, o elevador que acabou de descer lotado de pessoas sem qualquer dificuldade de locomoção...

Muitas pessoas enxergam apenas o que querem e a realidade fica para poucos!! 


Nota: O pior de tudo foi quando na volta conversando com outro fncionário da estação onde ocorreu o caso acima, enquanto esperamos uns quatro minutos para inverterem a escada rolante, ficamos sabendo que para utilizar aquela plataforma eles precisavam de autorização da sp trans e que desde que foi instalada ela nunca foi usada... :(

Como diz meu marido: O "importante" é que alguém foi pago para fazer a instalação desses equipamentos e "facilitar" a vida daqueles que usam cadeiras de rodas.

Antônia Yamashita