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quinta-feira, 1 de março de 2012

O que cada um vê

Raras são as vezes em que precisamos ir a algum lugar fazendo uso do transporte público em que não precisamos esperar por algo ou alguém para seguir caminho. No que diz respeito ao metrô a situação já melhorou bastante, mas vez ou outra ainda nos deparamos com alguns obstáculos que geralmente são resolvidos  logo, inclusive semanas atrás quando necessitamos usar um elevador que estava quebrado o guarda rapidamente se prontificou a auxiliar meu marido a descer pela escada.
Hoje estava agendada a gravação do programa papo de mãe cujo tema era mães de filhos que usam cadeiras de rodas, nos programamos para irmos a família toda e lá estávamos nós com o horário bem apertado. Entramos na estação para pegar o expresso tiradentes e ao chegar na escada rolante que dava acesso a plataforma para embarque vimos que a mesma estava desligada. Imediatamente fui conversar com uma funcionária para usarmos a plataforma para escada que imagino ser parecido com o modelo abaixo, pois nunca vi a "cara" dessa plataforma e ninguém utilizando-o.
A funcionário informou ao segurança que estava se aproximando que tinha uma pessoa em cadeira de rodas que precisava subir para a plataforma e perguntou-lhe como fariam, ele nos disse que precisávamos pegar o sentido contrário descer na próxima estação e voltar, com intenção de não nos atrasarmos meu marido preferiu subir pela escada normal e graças a boa vontade de um homem que passava por nós o percurso ficou "mais leve". 




Essas experiencias me levam a crer que somos vistos não como trabalhadores, estudantes, consumidores... e que ao sairmos de casa estamos sempre a passeio e sendo assim temos todo o tempo do mundo para esperar três minutos em uma estação, cinco na outra, o próximo ônibus, o elevador que acabou de descer lotado de pessoas sem qualquer dificuldade de locomoção...

Muitas pessoas enxergam apenas o que querem e a realidade fica para poucos!! 


Nota: O pior de tudo foi quando na volta conversando com outro fncionário da estação onde ocorreu o caso acima, enquanto esperamos uns quatro minutos para inverterem a escada rolante, ficamos sabendo que para utilizar aquela plataforma eles precisavam de autorização da sp trans e que desde que foi instalada ela nunca foi usada... :(

Como diz meu marido: O "importante" é que alguém foi pago para fazer a instalação desses equipamentos e "facilitar" a vida daqueles que usam cadeiras de rodas.

Antônia Yamashita

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Conhecimento demais e sabedoria de menos


Foram muitos os médicos que conheci ao longo dos últimos 11 anos, de diversas especialidades. Fico feliz por poder dizer que encontrei  muitos profissionais decentes nesse tempo, porém ainda me assombro quando encontro aqueles que insistem em tratar o paciente com total mecanismo como se fôssemos pura e simplesmente armações de ferro, parafusos e fluído sem qualquer sentimento. Não é a toa que hoje em dia existe uma parcela gigante de pessoas com a chamada "doença da alma" que nos afetam psíquica e fisicamente.

É triste ver pessoas com conhecimento suficiente para realizar um trabalho tão belo que é o cuidar da saúde, da vida, contribuindo para a banalização da sua profissão e principalmente em uma instituição cujo objetivo é zelar pelo bem estar daqueles que vivem em busca de inserção na sociedade e de respeito a sua própria condição de ser.

Só posso chegar a conclusão que pessoas assim carecem de muito amor... Fico imaginando o quanto de dificuldades e de desesperança deve habitar nesse ser inóspito... tanta coisa boa a ser aproveitada, absorvida, quanta vida e energia desperdiçada em meio a tanto mal humor e rancor...

Brinquei no facebook logo depois de uma ultima consulta com um desses profissionais, nomeando o ex urologista do meu filho de urochucrologista  (uro de urologista e o chucro de rude, mal educado, grosseiro definição aurélio) e mesmo passada a raiva pela atitude do médico continuo acreditando que não poderia dar-lhe melhor definição tendo como base a sua conduta, afinal cumprimentar com um bom dia o seu paciente, esclarecer suas dúvidas em relação a sua própria saúde e trabalhar em prol do seu bem estar seria o mínimo a ser feito, principalmente em se tratando de uma criança.   

Só tenho a lamentar pela existência de tanta energia negativa e falta de amor...

Não consigo ver sabedoria em um ser humano que se considera superior a outro da sua própria espécie por mais que este superficialmente demonstre inferioridade.

Antônia Yamashita

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Voz embargada, olhos vermelhos e gratidão...



Filhotes assustados sem motivo aparente... choro alto, medo... mudanças nas atitudes com eles na tentativa de melhora, voz embargada, olhos vermelhos e gratidão a Deus pela força e certeza de que tudo ficará bem. Obrigada Paizinho, pelo carinho, amor e pela certeza de que estás comigo em todos os momentos de minha vida.

Eu me vejo no escuro profundo sem pai, sem mãe, sem carinho, sem proteção.
Eu grito, eu choro e peço perdão... na busca insana por uma saída...

Queridos, meus pequeninos preciosos, como queria penetrar bem no fundo desses corações assustados...
Eu arrancaria esse medo pela raiz e tiraria tudo que pudesse provocar essa dor...
O quarto anda tão vazio, o computador de vocês há dias não é mais ligado... cadê meus pequenos foliões que ficavam horas no quarto se divertindo, rindo, gargalhando... suando de tanto brincar...
Sinto falta de comentar com o papai que essa casa está silenciosa quando vocês ficam assistindo pica pau pelo computador, os dois deitados em suas camas, aconchegados, atenciosos...
Que se passa nessas cabecinhas, que choram e gritam assustados com um desenho animado que antes os fazia gargalhar e o
s entretinha por horas...
Parece que nosso amor e carinho é tão pouco... mesmo minha garantia de que estamos aqui para protegê-los parece não fazer diferença...
Fico angustiada por não ter uma varinha mágica e poder consertar tudo em um minuto.
E me resta agradecer Aquele que me traz paz mesmo nesses dias traumáticos.  

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sem razão de ser...


Há dias na vida da gente em que tudo parece diferente. Algo que muda e tudo sai da rotina. São momentos carregados de emoções... Alguns de alegria e êxtase e outros de tristeza...
Mas os que estão martelando a minha mente são de dúvidas, incertezas e um pouco de medo eu diria... Os mesmos que deixam uma marca constante em meu rosto.


Por vezes já escrevi sobre algumas falas do meu filho mais novo dizendo que queria ser como o Lucas, inclusive fiz uma postagem sobre o dia em que ele me disse que queria ser cadeirante enquanto tocava a cadeira de rodas do irmão.
Não que eu acredite naquelas crenças antiquadas de que o fato de alguém sentar em uma cadeira de rodas esteja "agourando" como dizia minha avó... mas acredito que nosso pensamento é criativo e que nossas palavras tem poder, eis o motivo de uma certa angustia da minha parte.
Já esse mês de janeiro ouvi o Victor dizer que queria ter uma cadeira de rodas só para ele, assim como o Lucas e ontem me trouxe mais um de seus desenhos.

Agradeci pelo desenho, disse-lhe que estava muito bonito e lamentei porque ele cortou uma parte do braço. Imediatamente ele me disse:
- Ah faz de conta que é o Victor Hugo deficiente!
Perdi o chão... imediatamente lembrei das tantas outras vezes que ele me falou sobre isso. Em minha mente fica a pergunta?
- Será que existe algum desejo de ser como o irmão (de ter uma deficiência) por falta de atenção? Ou ele está predizendo algo?
Procuro sempre tratar os dois como iguais, tento dividir até os beijos e abraços dispensados. O que falta? Seria mera coincidência?
Para mim não, felizmente ou infelizmente, não sei, mas o fato é que não acredito no acaso... E me resta não um receio mas medo dessas palavras que saem constantemente da boca do meu filho Victor, afinal...
"... a boca fala do que está cheio o coração.” (Lucas 6.45)
Como saber o que se passa realmente... o que uma mãe faz nessas horas? Cadê o manual de instruções?...


Mudando um pouco de assunto... A noite estávamos assistindo o filme Vivos que conta a história dos sobreviventes de um acidente aéreo. Através dele testemunhamos a força física e emocional de um ser humano em busca de sua sobrevivência. A parte mais emocionante é quando o grupo decide se alimentar de carne humana para não morrer de fome... logo após mudei de canal para ver o filme Uma prova de amor por indicação da minha vizinha, sem dúvida uma linda história e uma prova de que as vezes o amor e egoísmo materno nos levam por caminhos nem sempre desejados por nossos filhos e para completar o dia de grandes emoções lá fui eu reviver pensamentos que busco constantemente eliminar da minha mente.
São pensamentos que me levam a crer que já não temos tanto tempo... e infelizmente são cada vez mais constantes. Esses dias fiquei pensando desde quando eles existem e lembro de que no ano de 2001 já me causavam dor. No inicio doía mais, era uma dor que me levava a questionar irracionalmente... Por que?? por que?? por que??
Hoje não dói tanto, mais sinto um desconforto enorme ao tentar desviar minha atenção a coisas palpáveis... não quero pensar, prefiro viver e assim fito meus pensamentos no momento presente e tento viver um dia de cada vez tentando não questionar o porquê de tudo isso...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Inclusão Escolar: Até quando?

Iniciamos mais um ano, estamos em 2012. O futuro já chegou e o homem ainda vive na idade da pedra. Muita evolução tecnológica e pouco humanismo. As coisas evoluem, o homem não.
Mais um ano que vejo pais se humilhando em busca de ter os direitos dos filhos resguardados. Pior, um direito básico, direito à educação. Como diz nossa Constituição Federal, Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Perfeito! Porém o sentimento real é que não passa de meras palavras, que na prática não surgem efeito. 

É muito bonito falar em inclusão escolar, inclusão no mercado de trabalho, instituir multa as empresas que não cumprem as cotas... Que maravilha! Mas afinal quais serão os qualificados para o mercado de trabalho se ainda não existe multa para as escolas que rejeitam ou que não dão suporte as crianças para que tenham respeitados seu direito a educação? Qual será a qualificação do jovem com deficiência na hora de ingressar no mercado de trabalho se seus pais nem conseguem efetivar sua matricula nas escolas?

É um círculo vicioso onde tudo continua a contribuir para a exclusão. Empresas que não contratam por falta de qualificação e o sistema educacional que contribui para essa realidade. Aquele que pode prover a custos elevados a educação de seus filhos ainda tem uma pequena chance. Pequena porque nem mesmo as cifras tão cobiçadas pelos humanos são garantias de inclusão. E para a outra parcela resta uma luta ainda maior pelo seu “resumido espaço”.       

Difícil pensar em educação, em vagas no mercado de trabalho, em qualificação, se falta o essencial para se ter uma inclusão eficaz. Respeito! E não é o respeito às diferenças, mas sim o respeito ao ser humano. Nem vou citar as pessoas com deficiência porque espero que este termo caia logo em desuso e possamos nos referir a elas como o que são: simplesmente pessoas, seres humanos, dotados de muita ou pouca inteligência, de limitações, de dons ou simplesmente de vontade de viver livremente, sem ter podados os deus direitos de cidadãos, necessitando de lutas constantes e árduas para se obter o básico para sua sobrevivência.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Ano novo. Recomeço ou continuidade...


Como começa um novo ano? Apertamos algum botão, ligamos algum dispositivo de mudança do tempo ou algo do tipo?
Na verdade é bem mais simples, o tempo continua seu curso, em seu próprio ritmo, como sempre faz.
Já nós, deixamos de lado o ritmo frenético da vida que levamos. Paramos um pouco, contamos as horas, os minutos, observamos os números finais passarem, contamos os segundos e iniciamos um novo ano...
Para muitos só mais um, para outros um novo recomeço...
São muitos os pedidos e agradecimentos, mas também tem as listas de promessas... Tantas coisas aparentemente difíceis de realizar e que são sempre deixadas para o ano seguinte.

Mas afinal, porque esperar um ano novo para começar de novo, porque esperar tanto para realizar algo que muito desejamos se assim como a cada 365 dias se inicia um ano novo, a cada 24 horas se inicia um novo dia. Um novo ciclo, um recomeço...

2012 é a continuidade de um ciclo que sempre se inicia, que se recria constantemente a cada instante...
Por isso não espere tanto para fazer o que te agrada, aquilo que gosta... Sinta, imagine, crie uma idéia, depois fale sobre sua idéia e finalmente coloque-a em prática.

Pense sempre a respeito do que quer para sua vida, o pensamento tem força, é criativo, por isso imagine sempre o melhor, não foque seus pensamentos em coisas negativas, em dificuldades. Os momentos difíceis virão quando tiverem que vir, e nesse momento enfrente-os, mas lembre-se que ficar pensando neles antecipadamente, não vai resolvê-los.

Faça de cada novo dia seu recomeço, tente amanhã e se não conseguir, terá o dia depois de manhã para tentar novamente. Não desista, insista, a persistência leva a perfeição.

Ouça o que dita seu coração, seu sentimento mais íntimo demonstra o que você é. Quando tiver um tempo fique a sós consigo, ouça sua voz interior, conheça seu eu e seja você mesmo.
 
Não deixe que digam o que é melhor para sua vida, você já sabe disso melhor que ninguém.

Divida sentimentos e opiniões e lembre-se, se hoje não deu certo tente novamente amanhã. Os acontecimentos são apenas isso, acontecimentos... Mas a sua reação em relação a eles é que vai fazer a diferença em sua vida. Então, aja, reaja, entre em ação! Cada dia um novo ciclo, uma nova vida, cheia de realizações.

Feliz 2012!