segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Circo dos horrores




     Não é de se admirar que as pessoas com deficiência ainda sejam vistas com olhares piedosos e com sentimento de total dependência se parte de nós mesmos atitudes que contribuem para alimentar esse tipo de pensamento.
 

   Cada passo significante na conquista dos direitos de determinado grupo exige o pleno envolvimento daqueles que sentem na pele a necessidade de mudança. Não basta sentar na janela e acompanhar o movimento. Não adianta apenas torcer e pedir a Deus que os outros consigam e que tudo melhore. É preciso se envolver não só de alma e coração mas também com a nossa presença, com a nossa voz. A voz de quem sabe o que diz.

    Foi assim com movimentos que fizeram a diferença como o Movimento pelos Direitos Civis que atingiu a universalidade e a popularidade liderado por Martin Luther King e com muitos outros de menor proporção. A luta de Martin foi duradoura e constante e com o envolvimento de muitas pessoas. Apesar de ser o líder, cada um dos que esteve com ele é tão importante quanto, pois sozinho, ele não conseguiria o mesmo resultado, a mesma revolução.

     E quanto a nós?

    Acompanho os eventos e o movimento que envolve as pessoas com deficiência e vejo o quão pouco temos avançado. E sinceramente me assusto com o imperialismo do assistencialismo barato que cerca o meio.

    Foram muitos os que se aproximaram do meio com o intuito de contribuir para uma causa nobre e muitos desses saíram como quem presenciou um verdadeiro circo dos horrores enquanto alguns permanecem por não ter lugar melhor para ir.

    Lutamos pelo reconhecimento de nossas capacidades, lutamos por respeito e por um mundo mais acessível. Mas não haverá reconhecimento de capacidade, enquanto não formos capazes de viver sem o assistencialismo, não haverá respeito enquanto não respeitarmos a nós mesmos e para um mundo mais acessível precisamos "estar" no mundo, ainda que sem acessibilidade.

    Infelizmente o alto custo de aparelhos ortopédicos e outros recursos que são essenciais para uma melhor qualidade de vida contribui com o assistencialismo mas acontece que há muitos casos em que a própria pessoa com deficiência presta esse assistencialismo a quem possui recursos para contratar o profissional que ele é.

    É muito bom contribuir com uma causa mas é preciso antes de tudo valorizar a si mesmo para ser valorizado. Temos capacidades, temos o nosso valor. Vivemos em um mundo capitalista, somos cidadãos e devemos nos comportar como tal para assim sermos reconhecidos.

    E que assim o nosso movimento, a nossa união possa crescer até o dia em que não seja mais necessário movimento nenhum por estarmos totalmente integrados no mundo.

    Antonia Yamashita

Segue com o texto o convite para estarmos juntos no sábado. Quem mora em Sampa, está de passeio ou em tratamento junte-se a nós, vamos fazer parte de um movimento em prol de acessibilidade. Papais, mamães, familiares e aqueles que concordam que um mundo mais acessível é melhor para todos, com ou sem deficiência. Nos vemos lá!!!  



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