terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O preço da liberdade



            Victor sempre foi um irmão carinhoso com o Lucas e uma criança extremamente apegada à família. Sempre tinha febre quando o irmão ficava internado e tínhamos que acompanhá-lo. Recusava convites para passeios sem nós e se saíssemos sem o Lucas estava sempre pensando nele. Não tem muito tempo que dormiu fora de casa pela primeira vez e depois que sentiu o gostinho da liberdade, não parou mais...
            Quando surgiu o convite para ele ir passear com minha amiga vi que tinha adorado a ideia. Eu também, é claro. O que mais quero é ver meus filhos felizes e como estamos compromissados com o prédio onde moramos não iremos viajar nessa época. Então pensei, repensei, analisei, me preocupei antecipadamente mas depois lembrei de todos os momentos difíceis ao longo desse ano e o quanto ele foi afetado por eles e acabei deixando.
            Desde quinta dia 20 ele está fora de casa. Já nos falamos várias vezes, sabemos que está bem mas a saudade daquele pequenino que já está bem grande, é inevitável. Sofremos por ver o Lucas em casa entediado sem poder desfrutar da mesma liberdade que o irmão mas também sofremos a falta que o Victor faz. Ainda bem que essa saudade tem dia para acabar, ainda hoje poderemos abraçá-lo novamente. E contamos o tempo para isso...
             As vezes passava uma pulguinha na minha cabeça me dizendo que sou maluca em deixar meu filho de apenas 7 anos viajar com outras pessoas mas como prendê-lo se já vejo seu irmão preso as suas limitações? Victor já sofreu muitas privações e enfrentou muitas situações complexas por conta das dificuldades que Lucas enfrenta. Ele, assim como tantos outros irmãos de pessoas com deficiência, é uma criança muito especial e também tem suas necessidades. Nos orgulhamos demais dele e desejamos que seja sempre assim. O deixamos sair para que tenha alegria, prazer, para que saiba que a vida é bela apesar das dificuldades.     Infelizmente nem tudo podemos fazer, as dificuldades do Lucas estão aqui nos limitando também mas nós não o trouxemos ao mundo como auxílio ou ponto de apoio e sim para que cresça e viva sua vida, que seja independente, que seja feliz, alem do mais, sabemos que um dia, ele diferente das previsões para o irmão, terá sua vida independente de nós então começamos nosso treinamento de desapego desde já. Tomara que a próxima vez seja menos doloroso...
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